• sexta, 04 de abril de 2008 às 20:02

    Agricultores, gestores e educadores dão mais um passo para o desenvolvimento sustentável em Canabrava do Norte

    Encontro avalia seminário sobre áreas protegidas e propõe novas iniciativas socioambientais para a região.

    André Alves, do Formad.

     

    A distância entre o sonho e a realidade, na maioria das vezes, é muito grande para quem deseja mudar a situação socioambiental, seja de um município, seja de uma comunidade. Mas isso não pode ser entendido como um obstáculo, mas como um desafio a ser vencido, passo-a-passo, uma etapa por vez. Esta foi a principal mensagem que 160 pessoas, entre agricultores familiares, educadores, agentes socioambientais e profissionais dos movimentos sociais e de órgãos governamentais tiveram num encontro realizado nos dias 7 e 8 de março, em Canabrava do Norte (a 1,1 mil quilômetros de Cuiabá), na Bacia do Xingu no Mato Grosso.

    O objetivo do encontro era o de avaliar as diversas ações planejadas no Seminário Áreas Protegidas e Desenvolvimento Alternativo, realizado no município, em julho de 2007, quando cada segmento se comprometeu a realizar uma série de atividades visando promover uma melhoria na qualidade ambiental e na busca de alternativas sustentáveis para a região. Embora muitas das propostas não tenham conseguido êxito, Solange Pereira, coordenadora do Fórum Mato-grossense de Meio Ambiente e Desenvolvimento (FORMAD) no projeto Governança Florestal, avalia que o resultado foi positivo. “Com esse novo encontro, tivemos a certeza de que as comunidades e educadores têm capacidade de elaborar e executar projetos, além de entender a urgência de ações socioambientais”, afirmou. Para ela, não falta energia. É preciso mais empoderamento e mais apoio institucional de órgãos governamentais e não-governamentais. “Mesmo com essa carência, houve muitos avanços”, destaca.

    O Governança Florestal nas Cabeceiras do Xingu é hoje o principal projeto da campanha ‘Y Ikatu Xingu, de proteção e recuperação das nascentes e matas ciliares do Rio Xingu no Mato Grosso. Ele envolve iniciativas de planejamento territorial, recuperação florestal e formação de agentes socioambientais, entre outras.

    Entre estes avanços, estão ações desenvolvidas por agricultores do assentamento Manah e Jandaia, onde oito famílias realizaram experimentos de agrofloresta e até receberam visitas de escolas dos vizinhos municípios de Porto Alegre do Norte e Confresa para conhecerem seus projetos demonstrativos. Três escolas envolvidas nos dois seminários organizaram gincanas para coleta de sementes e produção de mudas para replantio. Outras atividades de educação ambiental também foram realizadas a partir do reaproveitamento de materiais descartáveis e sementes na Escola Municipal Primavera. Já a Escola Municipal Canaã promoveu um mutirão de retirada de lixo na represa do município.

    Além do Formad, promoveram o encontro a Comissão Pastoral da Terra (CPT), a Associação Terra Viva, Escola Estadual Elias Bento e secretarias municipais de Educação, Agricultura e Meio Ambiente. O evento contou ainda com o apoio do Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep), Prelazia de São Félix do Araguaia e Escola Municipal Canaã. Entidades que atuam na região, como o Instituto Socioambiental (ISA) e a Associação Nossa Senhora da Assunção de Educação e Assistência Social (ANSA), colocaram-se à disposição para ajudar nas atividades socioambientais.

    No encontro, os participantes estabeleceram novas metas. As ações básicas propostas nos grupos têm o enfoque na divulgação de informação para qualificação das pessoas envolvidas na realização das atividades. A prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente, comprometeu-se com o reflorestamento das margens da represa de Canabrava, além de colaborar com as ações definidas pelos participantes do evento.

    “Em toda a região, como nesses encontros e nas visitas ao município de Canabrava do Norte, estamos criando núcleos de mobilização ambiental que têm feito um exercício de gestão e governança ambiental, mostrando que a consciência e força de vontade são caminhos para a sustentabilidade. E o caminho se faz caminhando, como já nos ensinou Paulo Freire”, concluiu Solange.

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