• 01. Qual a origem da Campanha ‘Y Ikatu Xingu?

    Em meados dos anos noventa as lideranças do Parque Indígena do Xingu,no nordeste do Mato Grosso,manifestaram sua preocupação com o assoreamento dos rios que cortam o parque e com a situação de ocupação e desmatamento no entorno da reserva.Organizações como o Instituto Socioambiental (ISA), que atua na região desde 1994, incorporaram a questão apresentada pelos índios e desenvolveram a idéia de fazer um movimento na região das cabeceiras do rio Xingu pela recuperação e conservação das matas ciliares (matas de beira de rio) que protegem suas nascentes. A degradação das nascentes e matas ciliares ameaça a qualidade de vida de 10 mil índios que habitam a região das cabeceiras do Xingu,e de cerca de 250 mil não-indígenas de 35 municípios da bacia do rio, no nordeste do Mato Grosso.Como as cabeceiras do Xingu se localizam fora dos limites do Parque Indígena do Xingu,o movimento pela sua recuperação deve ser feito por diversos atores regionais, além dos povos indígenas,como produtores rurais, pesquisadores, pequenos agricultores e representantes do Poder Público.

  • 02. Quando começou a Campanha?

    Em outubro de 2004,em um encontro realizado na cidade de Canarana (MT). Durante três dias, índios, fazendeiros, pequenos agricultores, agricultores familiares, ONGs, pesquisadores, professores, representantes de prefeituras de municípios da bacia e lideranças sindicais debateram a situação das nascentes e matas ciliares do rio Xingu. Propuseram ações e estratégias para reverter a situação e tudo isso foi consolidado em uma carta de princípios, chamada Carta de Canarana.

  • 03. O que significa ‘Y Ikatu Xingu?

    A expressão,na língua Kamaiurá (Kamaiurá é um dos povos xinguanos)quer dizer “Água Boa,Água Limpa do Xingu ”. A expressão foi escolhida pelos 340 participantes do Encontro de Canarana, a partir de várias sugestões de nomes para batizar a Campanha. Todos eles foram colocados em votação e o nome vencedor foi ‘Y Ikatu Xingu.

  • 04. A Campanha ‘Y Ikatu Xingu é destinada a quem?

    A todos os que se preocupam com a preservação do rio Xingu, símbolo da diversidade biológica e cultural do Brasil.E para que seja o mais ampla possível, reúne segmentos tão diferentes quanto povos indígenas, grandes e médios agricultores, agricultores familiares, pesquisadores, organizações da sociedade civil, sindicatos, prefeituras etc. Essa união é um fato inédito, resultado do esforço de todos os envolvidos, o que torna a Campanha ‘Y Ikatu Xingu uma mobilização de todos, sem exceção.

  • 05. O que a Campanha ‘Y Ikatu Xingu fez até agora?

    Ações e iniciativas para a proteção e recuperação das matas ciliares,por meio de articulações com diferentes órgãos governamentais (Incra,Embrapa,Ministério das Cidades,MMA e MDA)e não-governamentais,sempre de olho na diversidade dos atores envolvidos.As articulações têm resultado em estudos e propostas para melhorar o saneamento ambiental dos municípios da bacia que se encontram em situação precária,sobre a situação da agricultura familiar,além de pesquisas e projetos para a restauração de nascentes e matas ciliares.

  • 06. Qual a extensão do rio Xingu e de sua bacia hidrográfica?

    O rio possui cerca de 2,7 mil quilômetros,cortando o norte do Mato Grosso,o Estado do Pará e desembocando no rio Amazonas.No Estado de Mato Grosso, o rio Xingu tem 1,2 mil quilomêtros.A Bacia do Rio Xingu tem no total 51,1 milhões de hectares – o dobro da extensão do Estado de São Paulo –,e nela vivem aproximadamente meio milhão de pessoas,sendo que deste total cerca de 13 mil pessoas são indígenas,representantes de 24 etnias.

  • 07. Qual a área desmatada na região das cabeceiras do Xingu?

    A região das cabeceiras do Xingu,localizada no Mato Grosso,tem 17,7 milhões de hectares.Deste total,5,5 milhões e meio de hectares foram desmatados até 2005, de acordo com levantamento do Laboratório de Geoprocessamento do ISA.Isso representa quase um terço de toda a bacia do Xingu.

  • 08. Qual a extensão da área de matas ciliares degradadas nas cabeceiras do rio Xingu?

    Mata ciliar é a vegetação que margeia e protege os cursos d ’água.Também segundo dados do Laboratório de Geoprocessamento do ISA,até 2005,o desmatamento de matas ciliares atingiu 270 mil hectares.

  • 09. O que é o Parque Indígena do Xingu?

    É uma extensa área – 2,8 milhões de hectares e um perímetro de 920 km --no norte de Mato Grosso,criada pelo governo federal em 1961.O parque está localizado em uma zona de transição ecológica,formada por florestas tropicais ao norte e Cerrado ao sul e abriga vários povos indígenas.A ocupação e colonização dessa região,na qual o parque está situado,se deu a partir da década de 1970.

  • 10. Quantos povos indígenas vivem na região das cabeceiras?

    São 14 povos dentro do Parque Indígena do Xingu,a saber:Aweti;Kaiabi;Nahukwa; Yudja;Kalapalo;Kamaurá;Mehinako;Matipu;Kuikuro;Kisêdjê (Suya);Trumai; Txikao;Waura;Yawalapiti.Estes povos somam uma população de cinco mil pessoas, distribuídas em 49 aldeias e postos indígenas.Já os povos indígenas que vivem fora do Parque,mas na região das cabeceiras são os Xavante,os Kaiapó,os Panará e os Tapaiuna.A população destas quatro etnias na região das cabeceiras do Xingu soma cerca de 5 mil indivíduos.

  • 11. Como se sustenta a Campanha ‘Y Ikatu Xingu?

    Basicamente com esforços e recursos das instituições que aderiram a ela e das parcerias e apoios que estas entidades estão mobilizando.Atualmente existem diversas organizações,como sindicatos,prefeituras e ONGs desenvolvendo projetos de recuperação de mata ciliar na região das cabeceiras,motivadas pelos compromissos com a Campanha ‘Y Ikatu Xingu.O ISA é uma destas organizações e sua atuação também inclui a comunicação e mobilização para o fortalecimento da Campanha ‘Y Ikatu Xingu,além da articulação entre os diversos atores envolvidos. Para a Campanha ‘Y Ikatu Xingu atingir seus objetivos – a recuperação das matas ciliares e nascentes do Xingu – devem ser investidos muito mais recursos humanos,, financeiros e técnicos.

  • 12. Que instituições já participam e apóiam a Campanha?

    Executores de projetos

    Agência Nacional de Águas (ANA) – Associação Comunitária Agroecológica Estrela da Paz do Assentamento Brasil Novo (Querência) – Associação da Escola Municipal Família Agrícola de Querência – Associação Indígena Kĩsêdjê – Associação de Moradores do Projeto de Assentamento Serrinha – Associação de Pais e Mestres da Escola Municipal Elídio Corbari – Associação dos Parceleiros do Projeto de Assentamento (PA) da Fazenda California (Vera) – Associação dos Pequenos Produtores Rurais de Nova Aliança – Associação dos Produtores Rurais do PA Entrerios (Nova Ubiratã) – Associação Mista dos Trabalhadores Rurais do PA Brasil Novo – Associação Terra Indígena Xingu (Atix) – Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente (Condema) de Marcelândia – Cooperativa de Agricultores Ecológicos do Portal da Amazônia (Cooperagrepa) – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) – Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Empaer) – Escola Família Agrícola de Querência – Escola Municipal Apóstolo Paulo – Fórum Mato-grossense de Meio Ambiente e Desenvolvimento (FORMAD) – Grupo Agroflorestal e Proteção Ambiental (Gapa) – Instituto Centro de Vida (ICV) – Instituto de Ecologia e Pesquisa do Complexo da Serra do Cachimbo (Ecocachimbo) – Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) – Instituto Ouro Verde (IOV) – Instituto Socioambiental (ISA) – ONG Ambientalista Roncador Araguaia (Ongara) – ONG Aliança da Terra – Prefeitura de Canarana – Prefeitura de Gaúcha do Norte – Prefeitura de Marcelândia – Prefeitura de São José do Xingu – Sindicato de Trabalhadores Rurais (STR) de Água Boa – STR de Lucas do Rio Verde – STR de Ribeirão Cascalheira – Sindicato Rural de São José do Xingu – Sociedade Amigos do Garapu (Saga) – Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT) - Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)

    Apoiadores

    Amaggi Exportação e Importação – Associação de Plantio Direto no Cerrado (APDC) – Associação dos Fazendeiros do Vale do Araguaia e Xingu (Asfax) – Associação Xavante Warã – Câmara dos Vereadores de São José do Xingu – Câmara de Vereadores de Querência – Confederação Nacional da Agricultura (CNA) – Comissão Pastoral da Terra Araguaia (CPT) – Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) – Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia (Coiab) – Diretoria Municipal de Meio Ambiente de Guarantã do Norte – Diretoria de Educação Ambiental do Ministério do Meio Ambiente (MMA) – Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Mato Grosso (Famato) – Fundação Viver, Produzir e Preservar (FVPP) – Grupo de Trabalho Amazônico (GTA) – Instituto Floresta de Pesquisa e Desenvolvimento Sustentável – Lions Clube de Canarana – NBS – Prefeitura de Água Boa – Prefeitura de Querência – Rotary Club Canarana – Setor Dois e Meio-Comunicação de Marketing – Sound Design – Sindicato Rural de Canarana – Sindicato Rural de Querência

    Financiadores

    Organização Intereclesiástica para o Desenvolvimento (ICCO) – Blue Moon Fund – Rainforest (Noruega) – Doen Foundation – Instituto HSBC Solidariedade – Grendene – Ministério do Meio Ambiente (MMA)/Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA) e (Projetos Demonstrativos) PDA/PADEQ – Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA)/Secretaria da Agricultura Familiar (SAF) – Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) – Centro de Apoio Sócio-ambiental (Casa) – Icatu Hartford – Agência Norte-americana para o Desenvolvimento Internacional (USAID) – União Européia – Osklen – Guia Tipo Alfa – Yázigi Internexus – Solidaridad

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