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	<title>Y Ikatu Xingu &#124; Salve a Água Boa do Xingu &#187; notícias</title>
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	<description>uma campanha de responsabilidade socioambiental compartilhada</description>
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		<title>Restauração florestal da Bacia do Xingu ganha destaque em evento internacional</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Feb 2012 18:07:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Técnicas, ganho de escala e articulação em rede no trabalho realizado em Mato Grosso, no âmbito da Campanha Y Ikatu Xingu, chamaram a atenção dos participantes da 18ª conferência anual que abordou o tema: estratégias para restauração em larga escala nos trópicos, realizada na Universidade de Yale, nos Estados Unidos, entre os dias 26 e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span id="more-3495"></span><i>Técnicas, ganho de escala e articulação em rede no trabalho realizado em Mato Grosso, no âmbito da Campanha Y Ikatu Xingu, chamaram a atenção dos participantes da 18ª conferência anual que abordou o tema: estratégias para restauração em larga escala nos trópicos, realizada na Universidade de Yale, nos Estados Unidos, entre os dias 26 e 28 de janeiro. </i></p>
<p>Por Christiane Peres, ISA</p>
<p>Todos os anos, a Universidade de Yale organiza uma conferência para apresentar novas ideias sobre gestão de recursos naturais. O evento reúne pesquisadores de várias instituições, estudantes, representantes de organizações ambientais para discutir questões que envolvem conservação ambiental, conhecimentos tradicionais e desenvolvimento. Na 18ª edição do evento, a restauração ambiental foi o tema escolhido e o trabalho realizado pelo ISA no âmbito da Campanha Y Ikatu Xingu ganhou destaque durante as apresentações.</p>
<p><div id="attachment_3496" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><a href="http://www.yikatuxingu.org.br/wp-content/uploads/2012/02/IMG_0878.jpg"><img src="http://www.yikatuxingu.org.br/wp-content/uploads/2012/02/IMG_0878-300x199.jpg" alt="" title="Foto: Christian Knepper" width="300" height="199" class="size-medium wp-image-3496" /></a><p class="wp-caption-text">Plantio mecanizado utilizando um vincón</p></div>Foi a primeira vez que a experiência realizada na parte mato-grossense da Bacia do Xingu foi apresentada no exterior. De acordo com Eduardo Malta, biólogo e técnico do ISA que representou a instituição no evento, a iniciativa foi bem recebida e gerou interesse em vários participantes. “Foi o maior projeto de restauração em larga escala apresentado que está crescendo de fato, no chão, por conta do envolvimento das pessoas do lugar. Exceto projetos impulsionados por muita força de governos, como na China e nas Filipinas, foi apresentado um projeto de 20 hectares e outros três de 200 hectares, todos na América Latina, além do Pacto da Mata Atlântica. A semeadura direta mecanizada e a muvuca fizeram sucesso. Muitos participantes me procuraram depois dizendo que estavam cheios de ideias, querendo replicar o que temos feito”, conta Malta.</p>
<p>Hoje, mais de dois mil hectares estão em processo de recuperação na Bacia do Xingu, em Mato Grosso – um processo inédito e ousado numa região com predominância da soja e da pecuária. “Foi bom ver que estamos no caminho certo, não só no que se refere à restauração, no nosso cardápio de técnicas, mas também na forma de envolver e mobilizar as pessoas, o direcionamento dos recursos e as ações em rede sob uma identidade regional”, diz.</p>
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		<title>Grupo mostra que mudança climática já causa problemas na Amazônia</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Jan 2012 13:43:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por Eduardo Carvalho, Globo Natureza
Uma compilação de estudos de cientistas brasileiros e do exterior aponta que a expansão agropecuária e as mudanças climáticas já causam distúrbios na bacia amazônica – principalmente na borda da floresta, nos estados do Pará, Rondônia e Mato Grosso.
O grupo integra o Programa de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA), [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span id="more-3483"></span>Por Eduardo Carvalho, Globo Natureza</p>
<p>Uma compilação de estudos de cientistas brasileiros e do exterior aponta que a expansão agropecuária e as mudanças climáticas já causam distúrbios na bacia amazônica – principalmente na borda da floresta, nos estados do Pará, Rondônia e Mato Grosso.</p>
<p>O grupo integra o Programa de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA), que há 15 anos pesquisa os efeitos climáticos e humanos na região.</p>
<p>De acordo com o estudo divulgado na revista <i>Nature</i> desta quarta-feira (18), a soma de eventos decorrentes da expansão agrícola, da atividade madeireira em excesso e da mudança climática global resultariam em uma “catástrofe ambiental” no bioma, com reflexos na temperatura e no sistema de chuva.</p>
<p>Desta forma, haveria mais períodos de seca intensa, que alterariam a distribuição das precipitações na região amazônica, cuja população saltou de 6 milhões, em 1960, para 22 milhões, em 2010. A consequência disto é a queda na produtividade agropecuária, elevação de casos de doenças respiratórias, enchentes, redução da oferta de água potável, além de prejuízo à navegação e à geração de energia por hidrelétricas.</p>
<p><strong>Análise</strong> – O documento científico analisou as secas que ocorreram na Amazônia em 2005 e 2010, consideradas graves, além de outros fenômenos climáticos como os efeitos do El Niño e alterações no sistema de chuvas já detectadas no bioma.</p>
<p>Percebeu-se uma elevação na quantidade de “pancadas” (precipitações rápidas, mas com grande volume de água) nas regiões leste e sudeste da Amazônia, que causam o aumento na vazão dos rios.</p>
<p>Os cursos d’água, por sua vez, ao receber grande quantidade de chuva podem transbordar devido aos sedimentos em excesso, vindos de processos erosivos causados pelo desmatamento da floresta. Tais consequências causariam danos às cidades como inundações.</p>
<p>“Em bacias como as do Rio Tocantins e Araguaia, constatamos um volume maior de sedimentos, que vêm de áreas desmatadas devido às atividades agropecuárias. Essa concentração maior de precipitação pode afetar as cidades ao redor”, disse o pesquisador Alessandro Carioca de Araújo, um dos autores do artigo e que realiza pesquisas na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).</p>
<p>Outro ponto analisado pelo estudo é a mudança no processo de evapotranspiração (transpiração de plantas) devido à elevação de temperaturas, consequência da mudança climática.</p>
<p>O trabalho afirma que a floresta consegue se adaptar aos períodos de seca, principalmente árvores com raízes profundas, que absorvem a água existente a 15 km de profundidade, em lençóis freáticos.</p>
<p>“Porém, com a possibilidade de ocorrer secas cada vez mais intensas em espaço curto de tempo, árvores mais velhas podem morrer. Desta forma, a floresta mudaria de perfil, com uma existência maior de plantas que conseguem sobreviver a altas temperaturas (seleção natural), assim como aquelas que já existem no cerrado brasileiro”, complementou. O processo, já abordado em outras pesquisas, é chamado de “Savanização da Amazônia”.</p>
<p>Segundo Araújo, as pesquisas que integram o LBA foram importantes para compreender as melhores formas de planejamento e governança na floresta, evitando erros cometidos no passado, como o desmatamento em excesso.</p>
<p>“Quanto à mudança climática, não temos como combatê-la, mas sim adaptar a ela. Porém, é possível evitar o desmatamento na região, que diminuiria o envio de sedimentos aos rios, com a aplicação de tecnologias avançadas”, disse.</p>
<p>Ele cita que é necessário parar com as queimadas na floresta, que afeta a formação de nuvens de chuva devido às emissões de aerossóis e fuligem, em virtude das atividades agropecuárias. “Temos que substituir a prática da queimada, que sabemos que é mais barato. Porém, ela terá um custo muito alto para o meio ambiente”, complementa. </p>
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		<title>Dilma reduz Unidades de Conservação na Amazônia para viabilizar hidrelétricas</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Jan 2012 22:55:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Medida provisória publicada pela presidente na segunda-feira (9/1/2012) desafeta cinco Unidades de Conservação para a implantação do Complexo Hidrelétrico do Tapajós, no Pará, uma para a implementação das UHEs Jirau e Santo Antônio, no Rio Madeira e outra para a UHE Tabajara, estas últimas em Rondônia.
Por Instituto Socioambiental 
A Medida Provisória (MP) nº 558 de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span id="more-3471"></span><i>Medida provisória publicada pela presidente na segunda-feira (9/1/2012) desafeta cinco Unidades de Conservação para a implantação do Complexo Hidrelétrico do Tapajós, no Pará, uma para a implementação das UHEs Jirau e Santo Antônio, no Rio Madeira e outra para a UHE Tabajara, estas últimas em Rondônia.</i></p>
<p>Por Instituto Socioambiental </p>
<p>A <a href="http://www.in.gov.br/imprensa/visualiza/index.jsp?jornal=1&#038;pagina=1&#038;data=09/01/2012">Medida Provisória (MP) nº 558 de 5 de janeiro de 2012</a>, publicada na última sexta-feira (6/1/2012) e republicada em dia 9/1 por incorreções, mantém a estratégia do governo atual para o setor socioambiental: retroceder em relação a conquistas de governos anteriores em nome do desenvolvimento a qualquer preço. A MP que segue com força de lei até sua votação pelo Congresso, altera os limites de sete Unidades de Conservação (UCs) &#8211; três Parques Nacionais (Parnas), três Florestas Nacionais (Flonas) e uma Área de Proteção Ambiental (APA) – com o objetivo de viabilizar a implantação das hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio no Rio Madeira e da UHE Tabajara, em Rondônia e do Complexo Tapajós, no Pará.</p>
<p>O total de área excluída das sete UCs é de 91.308 hectares. A Flona de Itaituba II, criada em 1998 com 440.500 hectares e localizada nos municípios de Itaituba e Trairão, no Pará, foi a mais atingida, perdendo área de 28.453 hectares para a instalação da UHE São Luiz do Tapajós. O Complexo Tapajós é composto pelas UHEs Jatobá e São Luiz do Tapajós, no Rio Tapajós e pelas UHEs Cachoeira do Caí, Cachoeira dos Patos e Jamanxim, no Rio Jamanxim, cuja potência estimada é de aproximadamente 10.682 megawatts (MW). </p>
<p>A região ainda inclui outros projetos hidrelétricos como a UHE Chacorão, cuja potência estimada de 3.336 MW aguarda a conclusão dos estudos de viabilidade, a serem entregues até julho deste ano. Esta deve alagar uma parte importante da Terra Indígena Mundurucu, tendo ainda impacto direto sobre a TI Sai Cinza, e possivelmente a TI Pontal dos Apiakás e Isolados. Em carta recente, os povos indígenas Munduruku, Apiaká e Kaiabi denunciam o desrespeito à legislação ambiental e aos processos de consulta às populações atingidas por estes e outros projetos hidrelétricos levados a diante na Bacia do Rio Tapajós. Saiba mais.</p>
<p>A iminência da redução das UCs em virtude da implementação do Complexo Tapajós já havia sido anunciada anteriormente em <a href="http://www.socioambiental.org/nsa/detalhe?id=3344">notícia produzida pelo ISA</a> e publicada no site em maio/2011. </p>
<p>A implementação das UHEs do Rio Madeira já havia gerado alterações nas UCs locais, inclusive em 13 UCs estaduais de Rondônia, com revogações, alterações de limites e permutas de áreas entre o governo do estado e o governo federal. Relembre o caso lendo as notícias publicadas pelo ISA em julho de 2010: <a href="http://www.socioambiental.org/nsa/detalhe?id=3130">Termina a novela da hidrelétrica de Jirau e a permuta de UCs em Rondônia</a> e <a href="http://www.socioambiental.org/nsa/detalhe?id=3135">O estica e encolhe das Unidades de Conservação de Rondônia</a>.</p>
<p><strong>Veja a tabela abaixo com a situação de cada uma das UCs.</strong></p>
<p><a href="http://www.yikatuxingu.org.br/wp-content/uploads/2012/01/tabela.jpg"><img src="http://www.yikatuxingu.org.br/wp-content/uploads/2012/01/tabela.jpg" alt="" title="Tabela UCs" width="498" height="129" class="aligncenter size-full wp-image-3473" /></a></p>
<p>(*) Pequenas diferenças de área ou porcentagem podem ser interpretadas por diferenças de bases cartográficas entre ISA e ICMBio.</p>
<p>(**) Estudos de Inventário e Viabilidade </p>
<p>(***) Notar que o Parna da Amazônia e Campos Amazônicos tiveram outras alterações por motivos de adequação da situação de assentamentos, além de UHEs. Estas consideradas, a MP-558 proporcionou uma redução total de 33.622 há considerando as 7 UC&#8217;s envolvidas.</p>
<p>(****) Embora o Decreto de criação do PARNA Campos Amazônicos apresente sua área como sendo 873.570 hectares, este valor estava superdimensionado, pois não excluiu o entorno da estrada do estanho, excluído do Parna por citação, e não memorial descritivo. Assim, o Parna foi criado em 2006 com 833,291 hectares e não 873.570 hectares. </p>
<p><strong>Veja os mapas de cada UC com as alterações.</strong></p>
<p><strong>Parna Amazônia</strong> (clique na imagem para ampliar)<br />
<a href="http://www.yikatuxingu.org.br/wp-content/uploads/2012/01/peq_PARNA_AMAZONIA_MP558.jpg"><img src="http://www.yikatuxingu.org.br/wp-content/uploads/2012/01/peq_PARNA_AMAZONIA_MP558.jpg" alt="" title="peq_PARNA_AMAZONIA_MP558" width="498" height="704" class="aligncenter size-full wp-image-3474" /></a></p>
<p><strong>APA do Tapajós </strong>(clique para ampliar)<br />
<a href="http://www.yikatuxingu.org.br/wp-content/uploads/2012/01/peq_0000126146-apa_tapajos.jpg"><img src="http://www.yikatuxingu.org.br/wp-content/uploads/2012/01/peq_0000126146-apa_tapajos.jpg" alt="" title="peq_0000126146-apa_tapajos" width="498" height="704" class="aligncenter size-full wp-image-3475" /></a></p>
<p><strong>Flona do Crepori</strong> (clique na imagem para ampliar)<br />
<a href="http://www.yikatuxingu.org.br/wp-content/uploads/2012/01/peq_0000126146-Flona_crepori.jpg"><img src="http://www.yikatuxingu.org.br/wp-content/uploads/2012/01/peq_0000126146-Flona_crepori.jpg" alt="" title="peq_0000126146-Flona_crepori" width="498" height="704" class="aligncenter size-full wp-image-3476" /></a></p>
<p><strong>Parna Campos Amazônicos</strong> (clique para ampliar)<br />
<a href="http://www.yikatuxingu.org.br/wp-content/uploads/2012/01/peq_0000126146-PARNA_CAMPOS_AMAZONICOS_MP558.jpg"><img src="http://www.yikatuxingu.org.br/wp-content/uploads/2012/01/peq_0000126146-PARNA_CAMPOS_AMAZONICOS_MP558.jpg" alt="" title="peq_0000126146-PARNA_CAMPOS_AMAZONICOS_MP558" width="498" height="704" class="aligncenter size-full wp-image-3477" /></a></p>
<p><strong>Flona de Itaituba I</strong> (clique na imagem para ampliar)<br />
<a href="http://www.yikatuxingu.org.br/wp-content/uploads/2012/01/peq_0000126146-Itaituba_1.jpg"><img src="http://www.yikatuxingu.org.br/wp-content/uploads/2012/01/peq_0000126146-Itaituba_1.jpg" alt="" title="peq_0000126146-Itaituba_1" width="498" height="704" class="aligncenter size-full wp-image-3478" /></a></p>
<p><strong>Flona de Itaituba II</strong> (clique na imagem para ampliar)<br />
<a href="http://www.yikatuxingu.org.br/wp-content/uploads/2012/01/peq_0000126146-ItaitubaII.jpg"><img src="http://www.yikatuxingu.org.br/wp-content/uploads/2012/01/peq_0000126146-ItaitubaII.jpg" alt="" title="peq_0000126146-ItaitubaII" width="498" height="704" class="aligncenter size-full wp-image-3479" /></a></p>
<p><strong>A MP nº 542/2011 e os Parques Nacionais</strong></p>
<p>Os Parques Nacionais (Parnas) da Amazônia (AM/PA), dos Campos Amazônicos (AM/RO/MT) e Mapinguari (AM/RO) já haviam sofrido alterações de limites por meio de <a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Mpv/542.htm">outra MP, a de número 542</a>, em agosto de 2011, abrindo um perigoso precedente no modo de legislar sobre o tema. Esta MP resultou na redução de 25 mil hectares do Parque Nacional da Amazônia, em 8,4 mil hectares do Parna do Mapinguari e na ampliação de 137 mil hectares do Parna dos Campos Amazônicos, excluindo áreas e ampliando outras importantes para a conservação. </p>
<p>A finalidade central da MP nº 542 em permitir e facilitar a implementação das UHEs era indiscutível. Embora no caso dos Parnas da Amazônia e dos Campos Amazônicos os novos limites tenham considerado resoluções de conflitos com áreas de assentamentos humanos, algumas estabelecidas antes da criação das UCs, medida avaliada positivamente por muitos que bem conhecem a região e no caso do Parna Campos Amazônicos tenha ainda havido ganho na conservação de área sensíveis. (<a href="http://pib.socioambiental.org/es/noticias?id=109800http://pib.socioambiental.org/es/noticias?id=109800">Veja mais a respeito na argumentação do Instituto Chico Mendes sobre as redelimitações</a>). Da mesma forma agora com a Medida Provisória nº 558.</p>
<p>A pergunta que fica, entretanto, é: Por que os Parnas da Amazônia, dos Campos Amazônicos e Mapinguari reapareceram na nova MP? A questão é que a MP nº 542/2011 caducou. Não foi apreciada pelo plenárioda Câmara e teve seu prazo de vigência encerrado no dia 12 de dezembro de 2011, mesmo depois de sua prorrogação por 60 dias em outubro de 2011.</p>
<p>Assim, a nova MP apenas republicou as alterações já determinadas para os três Parnas, uma vez que elas haviam caducado.Há entretanto um adendo a ser observado. Em relação a estes três Parnas, o inciso II do Artigo 2 estabeleceu uma nova condição: a exclusão de áreas do Parna da Amazônia, que pela MP anterior, a de nº 542, tinha sido apenas para resolução de antigos conflitos fundiários. Nesta MP (nº 558/2012) passa a ter também motivos vinculados ao aproveitamento energético, uma vez que a área de aproximadamente 18.700 hectares foi retirada do Parna para viabilizar a implementação da UHE São Luiz do Tapajós (6,1 mil MW), pertencente ao Complexo Tapajós.</p>
<p>Ou seja, o Parna da Amazônia, única das UCs cuja alteração de limites não tinha relação com a expansão da matriz energética brasileira, juntou-se às demais seis neste aspecto.</p>
<p>Veja detalhes da tramitação da MP 542/2011 e acompanhe de agora em diante a tramitação da <a href="http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=515391">MP 558/2012</a>.</p>
<p><strong>A legalidade das Medidas Provisórias</strong></p>
<p>Em novembro de 2011, a Procuradoria-Geral da República (PGR) ajuizou no Supremo Tribunal Federal (STF) uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4678 com pedido de liminar, questionando a MP nº 542/2011. </p>
<p><a href="http://www.socioambiental.org/banco_imagens/pdfs/0000126054-STF.pdf">Segundo o próprio STF</a>, a argumentação da PGR é de que o ato sob o qual se legislou não era de natureza urgente, ou seja, não se justificaria a edição de uma Medida Provisória para implementar empreendimentos hidrelétricos que sequer tiveram os respectivos licenciamentos ambientais emitidos. “Além de não existir a alegada urgência, o procedimento adotado pelo Poder Executivo contraria a legislação específica do licenciamento ambiental”, argumenta a PGR. </p>
<p>Mesmo a necessidade de regularização da situação fundiária de famílias residentes nos Parnas, argumento utilizado pelo Executivo para justificar a urgência na tramitação, não configuraria situação de urgência. “Em que pese seja possível admitir a relevância da questão, ela não pode ser definida como urgente, pois demanda a análise qualificada e fundamentada das medidas a serem adotadas”, sustenta o órgão. Conforme destaca a autora na inicial, “a própria Lei 9.985/2000 oferece mecanismos ao Poder Executivo para que as populações tradicionais não sofram qualquer tipo de prejuízo em decorrência da criação de unidades de conservação, mesmo de proteção integral”. Os mesmos fundamentos da Ação Direta de Inconstitucionalidade são aplicáveis à nova MP. </p>
<p>O Ministro Ayres Britto foi o relator da ADI 4678. (Para o acompanhamento processual da ADI 4678 no Supremo Tribunal Federal, <a href="http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp?numero=4678&#038;classe=ADI&#038;origem=AP&#038;recurso=0&#038;tipoJulgamento=M">clique aqui</a>).</p>
<p><a href="http://uc.socioambiental.org/press%C3%B5es/hidrel%C3%A9tricas">Leia mais sobre o desafio da manutenção e implementação de UCs frente ao modelo de desenvolvimento energético baseado em hidrelétricas</a> no artigo do advogado e coordenador adjunto do Programa de Política e Direito do ISA Raul Silva Telles do Vale, publicado no site Unidades de Conservação da Amazônia Brasileira. </p>
<p><strong>Saiba mais sobre cada uma das UCs afetadas:</strong></p>
<p><a href="http://uc.socioambiental.org/pt-br/uc/481">Parna da Amazônia</a> </p>
<p><a href="http://uc.socioambiental.org/uc/6564">APA do Tapajós</a></p>
<p><a href="http://uc.socioambiental.org/uc/2241">Flona do Crepori </a></p>
<p><a href="http://uc.socioambiental.org/uc/1482">Parna dos Campos Amazônicos</a> </p>
<p><a href="http://uc.socioambiental.org/uc/4234">Parna Mapinguari</a> </p>
<p><a href="http://uc.socioambiental.org/uc/3101">Flona de Itaituba I</a> </p>
<p><a href="http://uc.socioambiental.org/uc/3112">Flona de Itaituba II</a> </p>
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		<title>Produtores rurais já podem fazer o cadastro ambiental de seus imóveis pela internet</title>
		<link>http://www.yikatuxingu.org.br/2012/01/02/cadastro-ambiental-rural-pode-ser-feito-pela-internet/</link>
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		<pubDate>Mon, 02 Jan 2012 14:02:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
Fonte: Ministério do Meio Ambiente
Os proprietários de aproximadamente 5 milhões de imóveis rurais de todo o País podem fazer o seu Cadastro Ambiental Rural (CAR) e aderir ao Programa Mais Ambiente pela internet desde o dia 12/12/2011. Basta preencher o formulário eletrônico no site http://www.maisambiente.gov.br
O Cadastro Ambiental Rural (CAR) é a porta de entrada para [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span id="more-3467"></span><br />
Fonte: Ministério do Meio Ambiente</p>
<p>Os proprietários de aproximadamente 5 milhões de imóveis rurais de todo o País podem fazer o seu Cadastro Ambiental Rural (CAR) e aderir ao Programa Mais Ambiente pela internet desde o dia 12/12/2011. Basta preencher o formulário eletrônico no site http://www.maisambiente.gov.br</p>
<p>O Cadastro Ambiental Rural (CAR) é a porta de entrada para o Programa Mais Ambiente, que apoiará a regularização ambiental com vários benefícios para os produtores rurais. O CAR garante ao agricultor que estiver em situação irregular com a legislação ambiental novos prazos e meios para resolver suas pendências. Ele estará livre de restrições de acesso ao crédito rural e à comercialização de sua produção.</p>
<p>Para os agricultores familiares, assentados da reforma agrária, quilombolas e comunidades tradicionais, o cadastro não terá custos. O pequeno produtor terá, ainda, assistência técnica, educação ambiental, capacitação e apoio para implantar viveiros, criando as condições para recuperar áreas degradadas. Para receber esses benefícios o produtor deve indicar no cadastramento quais os subprogramas de seu interesse.</p>
<p>Outro benefício do Mais Ambiente é a possibilidade de suspensão da cobrança de multas aplicadas pelo Ibama, com base no Decreto 7.029/2009. Elas poderão ser convertidas em recuperação do dano ambiental.</p>
<p>Com base nas informações prestadas no Cadastro Ambiental Rural, os órgãos ambientais vão orientar os agricultores sobre as medidas necessárias para recuperar Áreas de Preservação Permanente (APPs) e de Reserva Legal (RL), quando for o caso.</p>
<p>O prazo de adesão ao Programa termina em 11 de dezembro de 2012. Ao final desse prazo, o produtor rural que não averbou sua reserva legal ainda e não aderiu ao Mais Ambiente está sujeito a ser notificado pelo Ibama. Nesse caso, terá 180 dias para procurar o órgão ambiental e abrir o seu processo de regularização.</p>
<p>Os produtores que não tiverem acesso à rede de computadores terão, em breve, apoio do Governo Federal. Será criada, em parceria com estados, municípios, sindicatos rurais, cooperativas, associações de produtores e representações dos movimentos sociais uma rede para ajudá-los a se cadastrarem. O Ministério do Meio Ambiente vai capacitar facilitadores para ajudarem os produtores na hora de se cadastrar.</p>
<p>Em sua primeira fase o cadastro é declaratório. Depois da análise e aprovação dos dados fornecidos pelos produtores, será assinado um termo de compromisso. Nele, o produtor se compromete a manter, conservar e recuperar suas áreas de preservação permanente e de reserva legal.</p>
<p>A expectativa é de que o Mais Ambiente promova a recomposição de 23 milhões de hectares de matas ciliares, topos e encostas de morros, além de reservas legais.</p>
<p><strong>Código Florestal</strong><br />
Quem aderir ao Programa Mais Ambiente agora não terá prejuízo com possíveis alterações no Código Florestal, em votação no Congresso Nacional. Alterações aprovadas serão processadas pelo órgão ambiental, que efetuará os ajustes. Passam a valer as regras que vierem a ser estabelecidas.</p>
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		<title>Experimento avalia aproveitamento econômico de Reserva Legal em Mato Grosso</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Dec 2011 15:07:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Trabalho pioneiro em Mato Grosso, realizado em parceira com a Embrapa Agrossilvipastoril, testa a viabilidade econômica das áreas de Reserva Legal no estado. 
Por Christiane Peres
Projeto de plantio e aproveitamento de Reserva Legal, pioneiro no estado do Mato Grosso, começou a ser realizado pela Embrapa Agrossilvipastoril em parceria com o ISA em Canarana (MT). A [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span id="more-3460"></span><i>Trabalho pioneiro em Mato Grosso, realizado em parceira com a Embrapa Agrossilvipastoril, testa a viabilidade econômica das áreas de Reserva Legal no estado. </i></p>
<p>Por Christiane Peres</p>
<div id="attachment_3461" class="wp-caption alignright" style="width: 317px"><a href="http://www.yikatuxingu.org.br/wp-content/uploads/2011/12/0000025019-Demarca+º+úo.jpg"><img class="size-full wp-image-3461 " title="Foto: Embrapa Agrossilvipastoril" src="http://www.yikatuxingu.org.br/wp-content/uploads/2011/12/0000025019-Demarca+º+úo.jpg" alt="" width="307" height="277" /></a><p class="wp-caption-text">Detalhe do processo de implantação de um dos tratamentos de mudas</p></div>
<p>Projeto de plantio e aproveitamento de Reserva Legal, pioneiro no estado do Mato Grosso, começou a ser realizado pela Embrapa Agrossilvipastoril em parceria com o ISA em Canarana (MT). A ideia do projeto é testar se é viável economicamente para o produtor plantar e utilizar a Reserva Legal dentro de sua propriedade, conforme consta na legislação.</p>
<p>A Reserva Legal é uma área legalmente protegida que toda propriedade rural deve possuir, e cujo percentual de extensão varia conforme o bioma. É uma área que deve ser mantida com vegetação nativa, para fins de conservação da biodiversidade e manutenção dos processos ecológicos e que pode ser manejada, desde que não haja supressão total de vegetação, podendo ser mais uma fonte de renda para o produtor. No estado de Mato Grosso, plantar Reserva Legal ainda é uma realidade distante da maioria dos produtores e a proposta desse projeto é validar mecanismos para inverter essa lógica.</p>
<p>“O Mato Grosso não possui uma cultura florestal, como ocorre nos estados do Pará e Amazonas, por exemplo, o que dificulta a aceitação dos produtores em recuperar e manejar suas áreas de Reserva Legal. Além disso, não existem modelos de exploração de espécies nativas do Cerrado para esses fins nessa região, o que torna esse projeto muito inovador, não só do ponto de vista da ecologia da restauração, uma vez que está testando diferentes técnicas e arranjos das espécies, mas principalmente, econômico, podendo subsidiar informações para torná-la uma área produtiva dentro da propriedade”, afirma Natalia Guerin, bióloga e técnica do ISA.</p>
<p>A primeira área experimental acabou de ser implantada na fazenda Angaiá, em Canarana. Foram plantados14 hectares, utilizando 16 espécies nativas de uso econômico e que contribuirão para a restauração ecológica da área, conciliando conservação e produtividade. Além de Canarana, o experimento será reproduzido em outras quatro áreas – sendo três em Mato Grosso e uma em Rondônia. Em todas elas serão avaliados os custos para implantação e manutenção, além de permitir a avaliação – no futuro – dos possíveis benefícios econômicos.</p>
<p>O biólogo e pesquisador da Embrapa Agrossilvipastoril, Ingo Isernhagen, explica que o trabalho realizado em Canarana conta com sete tratamentos: dois deles avaliam a semeadura direta de espécies florestais nativas em consórcio com adubos verdes; outros quatro avaliam áreas com plantio de mudas, sendo dois em consórcio com espécies exóticas como o mogno-africano e o eucalipto; e o último avaliará a condução de regeneração natural da reserva. “Trata-se de um projeto de longa duração, e esse conjunto de variáveis poderá contribuir para apresentar aos produtores, alternativas para a efetiva adoção da Reserva Legal nas propriedades rurais, tornando palpáveis os potenciais benefícios econômicos, sociais e ambientais dessa importante categoria de uso da propriedade rural”, explica.</p>
<p>A primeira etapa do projeto durará três anos. Nesse período serão avaliados os aspectos ecológicos da evolução das áreas. Espera-se que o experimento seja renovado periodicamente para que os aspectos de manejo das espécies, que demandam uma temporalidade maior, sejam contemplados.</p>
<p><i>(com informações da Embrapa Agrossilvipastoril)</i></p>
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		<title>Com “acordão”, Senado aprova mudança no Código Florestal</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Dec 2011 20:31:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Com emendas de última hora, projeto é aprovado por 58 votos a 8. Embora melhor do que a aprovada pela Câmara dos Deputados, proposta significa retrocesso na política de conservação ao premiar quem desmatou ilegalmente
Por Oswaldo Braga, ISA
Depois de mais de seis horas de sessão, o plenário do Senado aprovou na última terça (6/12) o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span id="more-3454"></span><i>Com emendas de última hora, projeto é aprovado por 58 votos a 8. Embora melhor do que a aprovada pela Câmara dos Deputados, proposta significa retrocesso na política de conservação ao premiar quem desmatou ilegalmente</i></p>
<p>Por Oswaldo Braga, ISA</p>
<p>Depois de mais de seis horas de sessão, o plenário do Senado aprovou na última terça (6/12) o substitutivo de Jorge Viana (PT-AC) e Luiz Henrique (PMDB-SC) sobre a reforma do Código Florestal por 58 votos a favor e oito contra. A matéria segue agora para a Câmara, onde pode ser votada na semana que vem.</p>
<p>O texto final excluiu algumas das propostas mais prejudiciais à conservação aprovadas pelos deputados, mas reduz áreas protegidas em propriedades rurais, mantém a anistia a quem desmatou ilegalmente e, por consequência, traz incentivos para novos desmatamentos (veja quadro no final da notícia).</p>
<div id="attachment_3457" class="wp-caption aligncenter" style="width: 475px"><a href="http://www.yikatuxingu.org.br/wp-content/uploads/2011/12/aprovação-codigo.jpg"><img class="size-full wp-image-3457" title="Plenário do Senado" src="http://www.yikatuxingu.org.br/wp-content/uploads/2011/12/aprovação-codigo.jpg" alt="" width="465" height="317" /></a><p class="wp-caption-text">Senadores comemoram aprovação da reforam do Código Florestal no plenário do Senado </p></div>
<p>Apesar de haver sinalizado que o projeto sofreria modificações profundas depois da derrota sofrida com a aprovação na Câmara (<a href="http://www.socioambiental.org/nsa/detalhe?id=3343" target="_blank">saiba mais</a>), o governo acabou cedendo em grande parte dos pontos em favor da bancada ruralista.</p>
<p>Em toda a tramitação, o Palácio do Planalto não assumiu o tema como prioridade e acabou acatando o “acordão” costurado nos bastidores pelos defensores do agronegócio para permitir apenas alterações superficiais da proposta no Senado. O substitutivo foi aprovado com apoio de todos os líderes governistas e oposicionistas. Só o PSOL encaminhou voto contrário.</p>
<p><strong>Discurso ruralista</strong><br />
Durante a votação, ruralistas e governistas insistiram no discurso de que o projeto seria o &#8220;consenso possível&#8221; e uma “conquista” e que ele não representaria qualquer anistia. Segundo os senadores, os “radicais” teriam sido isolados no debate.</p>
<p>Parlamentares como Kátia Abreu (PSD-TO) elogiaram a ministra de Meio Ambiente, Izabella Teixeira, saudando-a como uma das fiadoras das negociações que resultaram na proposta aprovada. Ao final da votação, a ministra foi ao plenário cumprimentar os senadores e deu entrevistas comemorando a votação.</p>
<p>Até então considerado progressista, Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) chegou a dizer que a aplicação do novo Código Florestal poderá significar “o maior projeto de reflorestamento do planeta”. Ele não indicou, no entanto, qual dispositivo do projeto viabilizaria a iniciativa. Rollemberg foi um dos senadores que comemorou a taxa divulgada anteontem de 620 mil hectares de desmatamento na Amazônia, entre 2010 e 2011.</p>
<p>“O possível não satisfaz quando não atende o necessário para o Brasil. Precisamos de um projeto que vá além do possível e incorpore uma visão nova, um novo modelo de desenvolvimento”, rebateu Cristovam Buarque (PDT-DF).</p>
<p>“Este não é o Código Florestal do consenso. O crime ambiental está sendo institucionalizado”, criticou Marinor Brito (PSOL-PA). Ela afirmou que o texto aprovado levará ao aumento do desmatamento, lembrando que aprovação do projeto na Câmara, no início do ano, provocou a ampliação dos desmates em estados como o Mato Grosso.</p>
<p><strong>Voto no escuro</strong><br />
A pressa adotada na tramitação do projeto, que foi aprovado em apenas uma semana na Comissão de Meio Ambiente (<a href="http://www.socioambiental.org/nsa/detalhe?id=3461" target="_blank">leia mais</a>), produziu seus efeitos: foram apresentadas quase 80 emendas em plenário, o que contradiz a ideia de que o texto seria consensual.</p>
<p>Como ocorreu na votação da Câmara, enquanto oradores se revezavam na tribuna, o substitutivo estava sendo modificado por assessores em cima da hora.</p>
<p>Após a aprovação do texto-base, quando o relator Jorge Viana proferiu seu voto favorável ao acolhimento de 26 emendas de plenário (de um total de 78), assessores ainda procuravam pelo texto das emendas na Secretaria da Mesa e vários senadores não tinham ideia de seu conteúdo (as emendas não foram distribuídas previamente, como de costume). Não houve discussão sobre elas, mas, mesmo assim, seguindo a orientação dos líderes partidários, a maioria dos parlamentares aprovou no escuro o voto de Viana.</p>
<p><strong>Emendas</strong><br />
Uma das emendas aprovadas, de autoria de Blairo Maggi (PR-MT), enfraqueceu o dispositivo que dava poderes aos Comitês de Bacia Hidrográfica para, em bacias criticamente desmatadas, exigir a recomposição integral das APPs (Áreas Preservação Permanente) que protegem rios e nascentes. Pelo projeto aprovado, essas áreas deverão ser recompostas no máximo até a metade do limite definido hoje na lei.</p>
<p>Pela emenda aprovada, os comitês – colegiados compostos por estado, municípios e sociedade civil – não mais decidirão sobre o assunto, mas sim os governadores e prefeitos. O dispositivo era considerado uma salvaguarda para a recuperação de bacias do Sudeste e Nordeste com menos de 20% de cobertura vegetal (veja mapa abaixo com grau de desmatamento de bacias).</p>
<p><a href="http://www.yikatuxingu.org.br/wp-content/uploads/2011/12/peq_bacias_de_terceira_ordem_vegetacao.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-3456" title="Desmatamento bacias" src="http://www.yikatuxingu.org.br/wp-content/uploads/2011/12/peq_bacias_de_terceira_ordem_vegetacao.jpg" alt="" width="498" height="516" /></a></p>
<p>Outra emenda acolhida atendeu a bancada do Nordeste e permite que ocupação de apicuns e salgados, que são parte dos mangues. De acordo com a proposta, a produção de camarão e sal realizada nessas áreas até julho de 2008 será regularizada. A partir daí, seria permitida, em cada estado, a exploração em até 10% delas na Amazônia e em até 35% nas demais regiões.</p>
<p>Os senadores que votaram contra o substitutivo foram Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), Marinor Brito (PSOL-PA), Lindbergh Farias (PT-RJ), João Capiberibe (PSB-AP), Cristovam Buarque (PDT-DF), Paulo Davim (PV-RN), Fernando Collor (PTB-AL) e Marcelo Crivella (PRB-RJ).</p>
<p>Como era o Código Florestal antes e como fica com o projeto aprovado no Senado (clique no quadro para ampliar)<br />
<a href="http://www.yikatuxingu.org.br/wp-content/uploads/2011/12/Tabela_Cod_Flor.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-3455" title="Código Florestal" src="http://www.yikatuxingu.org.br/wp-content/uploads/2011/12/Tabela_Cod_Flor.jpg" alt="" width="542" height="417" /></a></p>
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		<title>Abaixo-assinado em defesa dos Guarani-Kayowá é entregue no Ministério da Justiça</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Dec 2011 19:52:12 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Na última sexta-feira, 9/12, o ISA protocolou a entrega do abaixo-assinado contendo 2.184 assinaturas ao Ministério da Justiça. A cyberação pede à autoridades a rigorosa apuração das violências contra os Guarani Kayowá de Mato Grosso do Sul, que vêm crescendo e culminaram com um ataque de pistoleiros em 18 de novembro ao acampamento Tekohá Guaiviry, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span id="more-3451"></span><i>Na última sexta-feira, 9/12, o ISA protocolou a entrega do abaixo-assinado contendo 2.184 assinaturas ao Ministério da Justiça. A <a href="http://www2.socioambiental.org/violencia-contra-os-guarani-kaiowa" target="_blank">cyberação</a> pede à autoridades a rigorosa apuração das violências contra os Guarani Kayowá de Mato Grosso do Sul, que vêm crescendo e culminaram com um ataque de pistoleiros em 18 de novembro ao acampamento Tekohá Guaiviry, no município de Aral Moreira (MS). Os corpos do cacique Nísio Gomes e de mais dois indígenas continuam desaparecidos.</i></p>
<p>Por Instituto Socioambiental, ISA</p>
<p>Esse ataque ao acampamento Tekohá Guaiviry, em Mato Grosso do Sul, engrossou a lista de crimes cometidos contra os Guarani-Kayowá. Segundo dados do Relatório de Violência contra os Povos Indígenas naquele estado, produzido pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), entre 2003 e 2010 ocorreram 253 assassinatos de indígenas.</p>
<p>Até agora foram realizadas três prisões, mas o caso não está resolvido. Os corpos dos indígenas feridos continuam desaparecidos. <a href="http://www.socioambiental.org/banco_imagens/pdfs/Abaixo_Assinado_-_MJ.pdf" target="_blank">Veja a carta que o ISA encaminhou ao ministro José Eduardo Cardozo com as 2.184 assinaturas.</a></p>
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		<title>Formação no Xingu capacita lideranças para diálogo intercultural</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Dec 2011 00:44:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O objetivo do curso é contribuir para que indígenas que estão envolvidos em processos sociais, políticos, culturais e ambientais de suas comunidades possam aliar os conhecimentos tradicionais sobre seu território com os conceitos e temas relacionados às questões de sustentabilidade da terra indígena e suas relações com a sociedade envolvente.
Por Christiane Peres, ISA
No mês de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span id="more-3435"></span><i>O objetivo do curso é contribuir para que indígenas que estão envolvidos em processos sociais, políticos, culturais e ambientais de suas comunidades possam aliar os conhecimentos tradicionais sobre seu território com os conceitos e temas relacionados às questões de sustentabilidade da terra indígena e suas relações com a sociedade envolvente.</i></p>
<p>Por Christiane Peres, ISA</p>
<div id="attachment_3436" class="wp-caption aligncenter" style="width: 537px"><a href="http://www.yikatuxingu.org.br/wp-content/uploads/2011/12/formação-pix1.jpg"><img class="size-large wp-image-3436" title="ISA" src="http://www.yikatuxingu.org.br/wp-content/uploads/2011/12/formação-pix1-1024x771.jpg" alt="" width="527" height="308" /></a><p class="wp-caption-text">Jovens lideranças xinguanas durante curso de formação</p></div>
<p>No mês de novembro, o Instituto Socioambiental (ISA) deu início ao curso de formação “Território e Serviços Socioambientais no Xingu”, na Coordenação Técnica Local (CTL) Diauarum, no Parque do Xingu (MT). A formação teve a participação de 25 jovens do Alto, Médio, Baixo e Leste Xingu, envolvidos direta ou indiretamente com o trabalho em suas associações. Eram agentes de saúde, “agentes” da política indígena, funcionários da Funai ou da Associação Terra Indígena do Xingu (Atix), caciques e tradutores. A proposta do curso, que terá duração de três anos, divididos em seis módulos e cinco entre-módulos, é contribuir para que indígenas que estejam envolvidos em processos sociais, políticos, culturais e ambientais em suas comunidades possam aliar os conhecimentos tradicionais sobre seu território com os conceitos e temas relacionados às questões de sustentabilidade da terra indígena e suasrelações com a sociedade envolvente. “O foco deste trabalho é ampliar a percepção dos participantes acerca das dimensões que compõem o território xinguano. A realidade do entorno, as diferentes percepções, contribuindo para a reflexão das diferenças que marcam o pensamento indígena e o pensamento dos brancos”, destaca Cristina Velasquez, assessora do Programa Xingu e responsável pela organização do curso.</p>
<p>Cada etapa do processo de formação terá de 20 a 30 dias de aulas, debates e atividades. Entre um módulo e outro, os participantes serão orientados para desenvolver atividades em suas comunidades e terão acompanhamento de equipe técnica do Programa Xingu. Entre os temas que serão trabalhados ao longo dos seis módulos estão: história, território e identidade; manejo e uso tradicional dos recursos naturais; contexto regional e seus impactos socioambientais no território xinguano; mudanças climáticas, serviços ambientais; patrimônio material e imaterial dos povos indígenas e estratégias de salvaguarda; direitos indígenas e políticas socioambientais; e desafios da sustentabilidade na terra indígena.</p>
<div id="attachment_3437" class="wp-caption alignright" style="width: 329px"><a href="http://www.yikatuxingu.org.br/wp-content/uploads/2011/12/formação-pix2.jpg"><img class="size-medium wp-image-3437" title="ISA" src="http://www.yikatuxingu.org.br/wp-content/uploads/2011/12/formação-pix2-300x149.jpg" alt="" width="319" height="201" /></a><p class="wp-caption-text">Korotowi Ikpeng fala sobre o histórico do Xingu</p></div>
<p>O primeiro módulo, que ocorreu entre os dias 7 e 24 de novembro, privilegiou a revisão histórica da formação do Xingu. O antes e o depois da criação do Parque do Xingu, por meio da história das línguas xinguanas, foram abordados pela linguista Bruna Franchetto. A linha do tempo dos acontecimentos políticos foi trabalhada pelo coordenador do Programa Xingu e secretário executivo do ISA, André Villas-Bôas; e as percepções sobre a circulação de pessoas e a organização sociopolítica desses povos, antes mesmo do território ser unificado com as 16 etnias que ali vivem, foram tema de calorosos debates conduzidos pela antropóloga Marcela Coelho, da UnB.</p>
<p>“É o início do trabalho. Momento em que conhecemos a turma, em geral constituída de pessoas jovens que estão à frente de processos políticos em suas comunidades. Mas o curso foi novidade para todos, para os índios e para a gente também. Não sabíamos como seria absorvido, mas a receptividade foi boa. E a proposta de trabalhar esse diálogo intercultural deu resultados interessantes. Foi importante perceber, por exemplo, que algumas passagens históricas recentes tinham uma lacuna na memória dos grupos. Enquanto passagens mais antigas estavam mais presentes. Mas isso será usado a favor, para trabalho nos entre-módulos, onde eles vão pesquisar o que foi debatido e trazer para os próximos encontros. Mas foi uma experiência interessante e o desafio continua agora”, avalia André Villas-Bôas.</p>
<p>Para Bruna Franchetto esse tipo de formação pode ajudar as jovens lideranças a desempenhar melhor seu papel no contexto atual. “O curso abordou temas que não são tratados normalmente, tratou de urgências importantes. Foi muito positivo ver o ISA se abrir para a questão linguística, pois os índios acolhem informações sobre língua com enorme entusiasmo e é um jeito de trabalhar conteúdos de forma mais profunda com eles. A dinâmica do curso, de forma geral, foi muito interessante, porque não infantilizou os índios. Eles exigem qualidade e imprimem seu estilo de aula.”</p>
<p>Pensar num processo de formação de educação não escolar com esse perfil se fez necessário a partir da intensificação nas relações entre os indígenas e a sociedade envolvente. “A quantidade e a velocidade das informações que chegam ao Xingu têm requerido uma participação intensa dos jovens xinguanos em diversas agendas e reuniões. Temas como a arqueologia, antropologia e linguística histórica contribuem significativamente para entender melhor aspectos do caminho de formação do território, da história de encontro desses povos no território xinguano e das estratégias sociopolíticas necessárias a serem desenvolvidas.</p>
<p>&#8220;O que vivenciamos aqui nesses dias é o que vamos enfrentar lá fora, nas negociações com o mundo branco, como muitos de nós já fazemos. Por isso, é importante melhorar o papel de tradutor oficial de seu povo, saber fazer isso com qualidade e perceber que nunca estamos sozinhos, estamos com o espírito de nossas lideranças tradicionais&#8221;, afirma Winti Suya, novo presidente eleito da Atix.</p>
<p>“Hoje, o mundo branco está falando diretamente com a gente. Acho muito importante participar dessa formação, pois a gente precisa cuidar do nosso território de maneira diferente, pois o rio é o nosso mercado, a nossa mata é verde, nem amarela e nem vermelha, por enquanto”, completa Ayato Kuikuro, agente de saúde indígena e tradutor do povo Kuikuro.</p>
<div id="attachment_3440" class="wp-caption aligncenter" style="width: 491px"><a href="http://www.yikatuxingu.org.br/wp-content/uploads/2011/12/0000004552-DSC08437.jpg"><img class="size-large wp-image-3440" title="Foto: Renato Mendonça/ISA" src="http://www.yikatuxingu.org.br/wp-content/uploads/2011/12/0000004552-DSC08437-1023x693.jpg" alt="" width="481" height="340" /></a><p class="wp-caption-text">Próxima etapa do curso ficou marcada para maio de 2012</p></div>
<p>O próximo encontro está marcado para maio de 2012, no CTL Diauarum. Até lá, os participantes estarão desenvolvendo atividades em suas comunidades para trabalhar depois, no módulo presencial.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Reduzindo o salário mínimo ambiental: uma análise sobre o Código Florestal</title>
		<link>http://www.yikatuxingu.org.br/2011/12/05/reduzindo-o-salario-minimo-ambiental-uma-analise-sobre-o-codigo-florestal/</link>
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		<pubDate>Mon, 05 Dec 2011 15:25:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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Por Raul Silva Telles do Valle, ISA 
No último dia 24/11, a Comissão de Meio Ambiente do Senado aprovou o substitutivo de Jorge Viana (PT-AC) para o novo Código Florestal. Nos dias seguintes, a grande imprensa dedicou razoável espaço para tentar explicar o conteúdo do projeto e o que mudará caso ele transforme-se em lei.
Embora [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span id="more-3433"></span><br />
Por Raul Silva Telles do Valle, ISA </p>
<p>No último dia 24/11, a Comissão de Meio Ambiente do Senado aprovou o substitutivo de Jorge Viana (PT-AC) para o novo Código Florestal. Nos dias seguintes, a grande imprensa dedicou razoável espaço para tentar explicar o conteúdo do projeto e o que mudará caso ele transforme-se em lei.</p>
<p>Embora venha prevalecendo a opinião de que a proposta seria um “meio termo” entre as demandas ambientalistas e ruralistas, poucos conseguiram passar aos leitores uma avaliação simples e fiel do que ela representa.</p>
<p>Isso ocorre, não raras vezes, porque o assunto é complexo, tanto pelos conceitos e terminologias usados, como pelas múltiplas dimensões abordadas no projeto (agricultura, pecuária, áreas urbanas, espécies em extinção etc). </p>
<p>A votação no plenário do Senado pode acontecer ainda nesta semana. Depois, o texto segue para a Câmara, onde a bancada ruralista tenta passar a impressão de que está descontente com a reforma do Código Florestal. Mesmo que detalhes importantes ainda possam ser modificados nessas duas votações, o resultado final está mais ou menos claro e creio que é possível falar sobre ele de uma forma simples e objetiva. </p>
<p><strong>Analogia</strong><br />
Faço uma analogia com o salário mínimo, presente no universo simbólico e real de todos os brasileiros, para tentar explicar o que a reforma do Código Florestal significa.</p>
<p>Em resumo, o salário mínimo é a menor quantia que deve ser paga a um trabalhador para garantir sua sobrevivência. Todos os anos seu valor é reavaliado, com base no aumento do custo de vida, e fixado em lei. Uma das principais conquistas dos trabalhadores, é uma garantia contra a exploração abusiva da força de trabalho pelos empresários. Ao mesmo tempo, tem função reguladora do próprio mercado, assegurando uma distribuição de renda mínima que garanta o poder de consumo dos trabalhadores, motor da economia.</p>
<p>O Código Florestal pode ser interpretado como a lei do salário mínimo ambiental. Busca evitar a exploração abusiva de nossos ecossistemas pelas atividades agropecuárias e urbanas, exigindo que seja preservado um mínimo de vegetação nativa nas propriedades para que os serviços ambientais básicos continuem funcionando, o que é fundamental para garantir a perenidade das atividades econômicas que utilizam recursos naturais.</p>
<p>O valor do salário mínimo ambiental não é medido em dinheiro, mas em área a ser protegida: as APPs (Áreas de Preservação Permanente) e RLs (Reservas Legais), que têm extensões variáveis, dependendo do local em que estão (30 metros na beira de rios, 20% do imóvel etc).</p>
<p><strong>Dois salários diferentes</strong><br />
E como o projeto que está prestes a ser aprovado trata o salário mínimo ambiental?</p>
<p>A princípio, como alardeado pelos relatores da Câmara (Aldo Rebelo) e do Senado (Luiz Henrique e Jorge Viana), o valor geral não teria sido diminuído em relação à lei atual, embora tampouco tenha aumentado. Apesar do alerta dos cientistas sobre a necessidade de aumento, o valor do salário mínimo ambiental foi congelado (saiba mais box no final do texto). Isso acontece porque, de acordo com o texto que será votado no plenário do Senado, em grande parte dos casos, as APPs e RLs que foram preservadas deverão manter a extensão definida pelo atual Código Florestal. </p>
<p>Para fins de recuperação das áreas desmatadas ilegalmente, no entanto, os parâmetros foram reduzidos. Assim, com a aprovação do projeto, o país passará a ter dois valores diferentes de salário mínimo. Um, o normal, terá que ser pago pelos empresários que sempre cumpriram a lei e pagaram corretamente seus empregados. O outro, menor, será pago pelos empresários que, até 2008, usaram trabalho escravo ou pagaram menos do que o salário mínimo a seus funcionários. Pelo projeto, essa é a linha de corte temporal para se definir quem deve ou não pagar o valor “normal” do salário mínimo. O que justifica esse corte é a alegação, feita pelo sindicato patronal dos produtores rurais, de que muitas empresas já estavam funcionando quando o salário era menor e, com o aumento do seu valor, ficou impossível produzir.</p>
<p>Ocorre que o último aumento no valor do salário mínimo ambiental ocorreu mais de 20 anos antes dessa data. Apesar de todos saberem disso, ela foi mantida no texto final de Jorge Viana. E poucos foram os parlamentares que se fizeram a seguinte questão: o fato de uma empresa já estar em funcionamento desobriga o empresário de atualizar o valor do salário de seus empregados?</p>
<p>O fato é que essa linha de corte está prevalecendo e a partir dela foram criadas algumas regras. A primeira é de que toda a dívida acumulada até essa data pelos empresários caloteiros será perdoada. Não se trata de desconto. A dívida será totalmente anulada. Mas há uma condição: eles terão que entrar num programa de regularização. Inicialmente, o projeto estabelecia que a anulação das dívidas era imediata, mas o prazo para adesão ao programa indefinido. Uma das “conquistas” da proposta que vai a plenário é que agora há um prazo definido de quatro anos para entrar no programa.</p>
<p><strong>O mínimo e o máximo</strong></p>
<p>Pelo programa de regularização, aqueles empresários que até hoje nada ou pouco pagaram a seus funcionários terão que finalmente pagar&#8230; Mas metade do salário: para fins de recuperação, as APPs foram reduzidas em mais de 50% e, em muitos casos, não será necessário recompor a RL!</p>
<p>Apesar do valor desse salário, pelo projeto, continuar sendo considerado o mínimo para a sobrevivência dos trabalhadores, para os caloteiros o mínimo é o máximo. Trata-se de uma anistia com efeitos para o futuro e não apenas uma borracha no passado.</p>
<p>Algumas pessoas acharam estranha essa história: como exigir menos do que o mínimo? O sindicato patronal se apressou a responder: haveria milhões de microempresários que, com toda a dificuldade que é produzir no país, não conseguirão pagar o mínimo a seus funcionários e fecharão as portas, causando caos social e econômico. Então fica assim: todos os empresários com dívidas terão que pagar, daqui em diante, no máximo metade do salário a seus funcionários e até mesmo os que faturam milhões de reais por ano ficam isentos de pagar férias, 13º e contribuir para o FGTS.</p>
<p>Mas a ideia não era aliviar os microempresários? E os funcionários? Como farão para comprar sua cesta básica, pagar as contas? Olha o avião passando ali! Vamos para o próximo assunto.</p>
<p><strong>Pacote de bondades</strong></p>
<p>Durante a tramitação do projeto, advogados “especialistas” em economia, bancados pelo sindicato patronal, entraram em cena para colocar sobre a mesa dados que justificariam essa anistia para o passado e futuro. De acordo com eles, se todos os empresários endividados tivessem que, daqui em diante, pagar o salário mínimo ambiental, o país quebraria. Se o cálculo valesse para outras áreas, teríamos o congelamento eterno dos salários.</p>
<p>Só se esqueceram de colocar na conta que o que é perda para o empresário é ganho direto para os trabalhadores e indireto para a sociedade como um todo, inclusive os empresários, já que, com mais recursos, os trabalhadores não só vivem melhor como gastam mais, movimentando a economia. </p>
<p>E os empresários que cumpriram com seu dever e durante anos sofreram concorrência desleal dos demais? Serão recompensados? Terão desconto nos impostos, linha de crédito preferencial e a juros baixos para ampliar suas atividades? Para esses, o projeto prevê que, em 180 dias, o Governo Federal poderá criar um pacote de bondades como essas, a depender da boa vontade da presidente, que não participou da elaboração dessa regra e, portanto, nunca pediu autorização para nada (e nem precisava, caso quisesse fazer algo). </p>
<p>E se esse pacote não vier? Poderá esse empresário pedir a redução do salário de seus funcionários para poder competir em nível de igualdade com os ex-caloteiros (agora regularizados)? Claro que não, pois nossos parlamentares são radicais na defesa dos direitos dos trabalhadores, e não vão aceitar nenhuma redução salarial no país. O projeto não tem anistia nem redução de salário, diriam&#8230; </p>
<p>A nova lei deveria ter, pelo menos, mecanismos mais eficientes do que a lei atual para garantir que os regularizados não voltem a ser novamente caloteiros, não? Porque, entre não receber nada e receber alguma coisa, melhor receber algo, não é verdade?</p>
<p>Durante a tramitação do projeto foram apresentadas propostas para proibir que os caloteiros vendam livremente sua produção, de modo que não possam mais contratar com o Poder Público, tenham restrição de crédito. Só esta última ficou no projeto e está sob ameaça do sindicato patronal, que alega ser a regra abusiva.</p>
<p>Além disso, foi criado um cadastro de regularizados, pelo qual o Poder Público poderia saber exatamente quem são e monitorá-los com mais eficiência (desde que contrate mais funcionários para as agências de controle, claro). Como está no projeto, no entanto, o cadastro não terá efetividade: ele exige o número da casa do proprietário, mas não o nome da rua&#8230;</p>
<p>E assim vamos adiante.</p>
<p><i>O que diz a Ciência?</p>
<p>Pesquisas científicas feitas nas últimas décadas demonstram que os parâmetros do Código Florestal vigente, em muitos casos, são insuficientes para garantir a sobrevivência de um grande número de espécies e o adequado funcionamento de vários dos serviços ambientais necessários ao nosso dia a dia.</p>
<p>Segundo estudo feito pelo pesquisador Jean Paul Metzger, da USP, a partir de extensa revisão bibliográfica, uma paisagem que tenha menos de 30% de vegetação nativa preservada deixa de ser funcional, ou seja, vários de seus ciclos naturais entram em colapso. </p>
<p>Pela lei atual, se todas as APPs (matas ciliares, florestas de encostas e topos de morro etc.) e RLs (parte do imóvel que deve ser preservada, independente das APPs) fossem de fato conservadas, teríamos em grande parte do país (fora da Amazônia Legal) um patamar próximo a isso, mas em geral inferior. O projeto prevê que esse patamar vai diminuir, já que as APPs passarão a ser contabilizadas na RL, ou seja, cada imóvel terá, no máximo, 20% de vegetação nativa preservada. </p>
<p>Estudo liderado pela SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) foi taxativo ao dizer que a medida de proteção aos pequenos rios brasileiros (que correspondem a mais de 60% da área de drenagem do país), que é de 30 metros atualmente, é insuficiente para atingir os fins a que se propõe e deveria ser aumentada para pelo menos 50 metros. A reforma do Código Florestal não só não aumenta essa proteção, como, ao modificar a forma de cálculo das APPs (do leito maior para o leito regular), a reduz.<br />
 </i></p>
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		<title>Intercâmbio entre coletores do Pará e do Mato Grosso fortalece coleta e comercialização de sementes em Altamira e região</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Nov 2011 20:01:39 +0000</pubDate>
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Entre os dias 21 e 23 de novembro, ribeirinhos, coletores de sementes do Mato Grosso e do Pará, universitários e representantes de instituições locais que trabalham com recuperação de áreas degradadas se reuniram para compartilhar experiências e consolidar o trabalho iniciado na região Norte. Na oficina também foram apresentadas novas alternativas econômicas para os extrativistas. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span id="more-3419"></span><br />
<i>Entre os dias 21 e 23 de novembro, ribeirinhos, coletores de sementes do Mato Grosso e do Pará, universitários e representantes de instituições locais que trabalham com recuperação de áreas degradadas se reuniram para compartilhar experiências e consolidar o trabalho iniciado na região Norte. Na oficina também foram apresentadas novas alternativas econômicas para os extrativistas. O encontro foi realizado pelo Instituto Socioambiental, Instituto de Desenvolvimento Florestal do Estado do Pará e pela Rede de Sementes do Xingu.</i></p>
<p>Por Christiane Peres, ISA</p>
<div id="attachment_3427" class="wp-caption aligncenter" style="width: 545px"><a href="http://www.yikatuxingu.org.br/wp-content/uploads/2011/11/480B.jpg"><img class="size-large wp-image-3427" title="Foto Christiane Peres" src="http://www.yikatuxingu.org.br/wp-content/uploads/2011/11/480B-1024x391.jpg" alt="" width="535" height="220" /></a><p class="wp-caption-text">Participantes da oficina ao final do encontro em Altamira</p></div>
<p>Marines Lopes de Sousa viajou quase vinte horas de barco da Reserva Extrativista (Resex) do Rio Xingu até desembarcar no cais de Altamira, no Pará, no dia 21 de novembro, para participar da “Oficina de Manejo de Sementes Florestais” e descobrir mais uma alternativa de geração de renda para sua família. “Hoje nossa comunidade vive mais da pesca, mas estou ouvindo muita coisa boa aqui e acho que se eu aprender mais sobre o que está sendo mostrado posso levar para minha comunidade e passar para as outras pessoas para melhorar nossa vida. Temos muita floresta lá e podemos coletar muita semente. Já trabalhamos com o babaçu, mas vi outras possibilidades aqui.”</p>
<p>Junto com aproximadamente 50 pessoas, Maria Inês aprendeu, trocou experiências e se atualizou sobre técnicas de coleta de sementes, armazenamento, produção de mudas, precificação, comercialização e conheceu novas alternativas econômicas que podem ser retiradas da floresta, como a fabricação de produtos não madeireiros. “Além de pegar as sementes, a gente viu o trabalho de produção de óleos, por exemplo, que é feito por outras resex. Também dá pra fazer vela, farinha, um tanto de produto que pode tirar da mata.”</p>
<p>A “Oficina de Manejo de Sementes Florestais” é uma iniciativa do Instituto de Desenvolvimento Florestal do Estado do Pará (Ideflor), da Rede de Sementes do Xingu e do Instituto Socioambiental (ISA) e foi pensada para aprimorar técnicas de coleta, armazenamento e estrutura de gestão com o objetivo de suprir uma demanda por sementes que está surgindo na região. “Nas atividades desenvolvidas pelo ISA na Terra do Meio, ainda não existe um trabalho com a coleta e venda de sementes florestais, mas com essa oficina a gente espera olhar para mais essa atividade de geração de renda para as populações extrativistas e ao mesmo tempo contribuir com ações de adequação ambiental das propriedades da região, incentivadas pela prefeitura de Altamira, Ideflor e outras instituições”, explica Marcelo Salazar, coordenador adjunto do Programa Xingu, do ISA, no componente Terra do Meio Altamira.</p>
<p>Em 2010, foi criada a Cooperativa de Sementes e Mudas da Amazônia (Coosema) em Altamira, numa parceria entre o Instituto de Desenvolvimento Florestal do Estado do Pará (Ideflor) e a Secretaria Executiva de Trabalho Emprego e Renda do Pará, a partir do projeto Bolsa Semente. A proposta do grupo é coletar sementes e produzir mudas, envolvendo jovens da zona rural de oito municípios da região da Transamazônica-Xingu – Altamira, Porto de Moz, Senador José Porfírio, Brasil Novo, Medicilândia, Uruará, Placas e Santarém. Hoje são 27 cooperados que tiram da floresta parte do seu sustento. “Além da coleta, comercializamos óleo, sabonetes, velas, tudo extraído da floresta”, conta a diretora de Educação e Promoção Social da cooperativa, Edmara Pedrosa.</p>
<p>Com a oficina, Edmara e os membros da cooperativa esperam avançar no aprendizado de novas experiências para consolidar o trabalho desenvolvido por eles. “Queremos aprimorar a maneira como coletamos sementes. Sabemos da experiência da Rede de Semente do Xingu, que já desenvolve esse trabalho há mais tempo e pode nos ajudar muito aqui”, diz.</p>
<p><strong>Troca de experiências</strong></p>
<div id="attachment_3422" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://www.yikatuxingu.org.br/wp-content/uploads/2011/11/448A.jpg"><img class="size-medium wp-image-3422" title="Foto: Christiane Peres" src="http://www.yikatuxingu.org.br/wp-content/uploads/2011/11/448A-300x297.jpg" alt="" width="300" height="297" /></a><p class="wp-caption-text">Ivo Cesário da Silva tem sua renda retirada exclusivamente da coleta de sementes</p></div>
<p>Ivo Cesário da Silva é coletor da Rede de Sementes do Xingu em Canarana (MT) e sua fonte de renda exclusiva vem das espécies que coleta na região. Como a maior parte dos moradores da pequena cidade mato-grossense, veio do Sul do país engrossar o grupo que a colonizou nos anos 70. Pintor de profissão, o catarinense encontrou no que resta de Cerrado em Canarana seu sustento. Hoje, participa de encontros pelo Brasil compartilhando sua experiência na Rede de Sementes do Xingu em Mato Grosso. “Se 20 anos atrás me falassem para coletar sementes, eu nunca ia acreditar que seria preciso e que seria possível viver disso. Hoje, com 46 anos de idade, eu vivo do cerrado e da floresta, com a coleta de sementes”, conta.</p>
<p>Ivo participa da oficina para apresentar a experiência vivida em Mato Grosso. Criada em 2007, a rede hoje conta com mais de 300 coletores, num trabalho que vem contribuindo de forma sistemática para a recuperação das matas ciliares na Bacia do Rio Xingu. Até a safra de 2010, a rede comercializou 53 toneladas de sementes, gerando R$ 459 mil de renda para seus participantes.</p>
<p>A experiência mato-grossense contribuiu para indicar caminhos para o trabalho que vem sendo desenvolvido em Altamira. Além das técnicas de coleta e limpeza de sementes, o método desenvolvido pela Rede de Sementes do Xingu com a contribuição de outras redes de sementes florestais para colocar preço nas espécies colhidas foi o ápice do encontro.</p>
<p>José Nicola da Costa, técnico do ISA e responsável pela Rede de Sementes do Xingu, lembra que esse é um trabalho árduo e mais que vontade, é preciso organização, transparência e participação de todos para que funcione. “Levamos um tempo até encontrar a melhor forma de atribuir os preços da rede e anualmente discutimos os valores com os coletores para atualizar a tabela que será utilizada”, diz.</p>
<p>Entre os critérios que ajudam a estabelecer os preços estão o grau de dificuldade de coleta e limpeza das sementes, o transporte, a quantidade encontrada na mata, o tempo gasto no trabalho. Cada item gera um valor, que, somado, vai ajudar a montar uma espécie de ranking com as sementes que devem ser mais baratas e as que devem agregar mais valor na venda. Para chegar ao valor final, o cálculo envolve ainda fatores como o preço da hora trabalhada, a quantidade de sementes coletada em um dia, entre outros. Essas informações, agregadas ao valor da diária regional, vão gerar o valor mínimo do quilo da semente. Aquele que precisa ser garantido ao coletor. Na oficina, o menor preço do quilo do açaí saiu a R$ 2,12, de acordo com o exercício feito. Hoje, os coletores das reservas extrativistas cobram R$ 2,91 no quilo coletado. “Colocando todos esses números no papel, a gente vai saber se o que a gente está coletando vale a pena mesmo. É uma informação importante sobre o nosso trabalho”, diz Gilvane Silva Santos, coletor de Uruará (PA) e membro do projeto Sementes da Floresta.</p>
<p><strong>Desafios</strong></p>
<p>Além do preço, outros desafios rondam o trabalho com as sementes em Altamira. Israel Oliveira, apontou que o armazenamento das espécies é um dos principais problemas encontrado na região. “2011, por exemplo, foi um ano rico em produção de andiroba, mas não conseguimos trabalhar as sementes, pois ela tem um crescimento inicial muito rápido e as sementes caem em fevereiro, março, mas a época boa para plantio é nas chuvas, que começam no final do ano. Isso significa que perdemos muitas sementes de andiroba esse ano porque elas não aguentaram, pois não temos uma câmara fria e um laboratório para armazenar”, relata.</p>
<p>Rodrigo Junqueira, coordenador adjunto do Programa Xingu, do ISA, no componente Cabeceiras do Xingu, explica que com uma estrutura simples é possível resolver a maior parte dos problemas de armazenamento de sementes. “Em Canarana temos uma casa de alvenaria com ar condicionado e um desumidificador de ar para comportar as sementes que chegam à rede. E isso dá conta da maior parte das espécies trabalhadas pela rede. Uma estrutura simples e que pode ser facilmente construída aqui.”</p>
<p>Ser capaz de armazenar as sementes coletadas na região é um passo importante para garantir a germinação das espécies. Além disso, é preciso um controle que assegure a qualidade da semente. E nem sempre é preciso um laboratório para isso, como afirma Ivo Cesário: “A gente não tem laboratório, mas faz um controle visual da qualidade das nossas sementes. E isso é importante pra gente porque quanto melhor as nossas sementes, mais elas serão compradas. É ponto pra gente. Além disso, a gente sabe que se a semente tem caruncho, está mofada, furada, não serve”, diz.</p>
<p>Além do armazenamento, Mônica Mota, da Secretaria Municipal da Gestão do Meio Ambiente e Turismo (Semat), lembrou que Altamira está na lista dos municípios que mais desmatam no país. Em outubro, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgou dados sobre desmatamento da floresta amazônica e Altamira ficou em segundo lugar, com 138 km². Em agosto, o município estava em primeiro lugar, com 129,9 km² de área devastada. “Precisamos trabalhar para tirar o município de Altamira dessa situação. Para isso, precisamos conseguir armazenar as sementes e coletar espécies nativas, pois hoje temos falta de sementes da região, e muitas vezes precisamos comprar de São Paulo porque não temos aqui, mas por não termos local para armazenar acabamos perdendo muitas espécies. Além disso, precisamos capacitar as pessoas para trabalhar com isso”, diz Mônica.</p>
<p>O desmatamento em Altamira poderá ser acentuado com as obras da usina de Belo Monte. O Ibama chegou até a solicitar uma análise do risco de desmatamento indireto da obra – além da área alagada ou usada para as construções da usina. Esse desmatamento indireto seria causado principalmente pela imigração e pelo estímulo ao aumento de atividades econômicas locais. O estudo foi realizado pelo Imazon que estimou a taxa provável de desmatamento até 2031, considerando cenários com e sem a construção da hidrelétrica.</p>
<p>De acordo com a previsão mais otimista, seriam desmatados em torno de 800 km2 adicionais em 20 anos. A outra estimativa, considerando a tendência do desmatamento mais elevada do período 2000-2005, chegou a um dado de 4.408 km2 a 5.316 km2 adicionais, dependendo do nível de imigração. (<a href="http://www.imazon.org.br/publicacoes/livros/risco-de-desmatamento-associado-a-hidreletrica-de-belo-monte/at_download/file" target="_blank">Acesse a íntegra do documento</a>)</p>
<p><strong>Encaminhamentos</strong></p>
<div id="attachment_3430" class="wp-caption aligncenter" style="width: 552px"><a href="http://www.yikatuxingu.org.br/wp-content/uploads/2011/11/466A.jpg"><img class="size-large wp-image-3430" title="Foto: Márcio Souza " src="http://www.yikatuxingu.org.br/wp-content/uploads/2011/11/466A-1024x251.jpg" alt="" width="542" height="124" /></a><p class="wp-caption-text">Representantes de associações extrativistas, ongs e de órgãos públicos se unem para alavancar trabalho com sementes em Altamira</p></div>
<p>Ao final do encontro ficou acordado que os extrativistas, com auxílio das instituições parceiras, darão continuidade ao trabalho iniciado durante a oficina para ver a possibilidade de integrarem a Rede de Sementes do Xingu, com as espécies da região. Entre os trabalhos estão a identificação da oferta e demanda de sementes na região e a precificação das sementes coletadas .“Ou a gente se une ou não vamos dar conta. Ou achamos soluções sustentáveis para se viver da floresta ou veremos tudo no chão. Não se garante floresta em pé sem garantir um meio de vida digno a quem vive dela. É preciso agregar valor a esses produtos que são extraídos da floresta. E aqui vejo que estamos construindo esse caminho”, defende José Alberto da Silva Colares, diretor do Ideflor.</p>
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