‘Y Ikatu Xingu – Salve a água boa do Xingu, na língua Kamaiurá
A Campanha ‘Y Ikatu Xingu surgiu em 2004 para atuar na recuperação e proteção das nascentes e cabeceiras do Rio Xingu. Estima-se que já foram desmatados quase seis milhões de hectares de vegetação nativa na bacia do Xingu no estado de Mato Grosso, o que significa que aproximadamente 33% da cobertura vegetal original já foi suprimida na região.
A fragilidade do rio e a necessidade de trabalhar em sua conservação ficaram evidentes em meados de 1990, quando as lideranças do Parque Indígena do Xingu, localizado no nordeste de Mato Grosso, manifestaram sua preocupação com a ocupação e o desmatamento no entorno de sua área e com o processo de assoreamento dos rios que cortam o parque, afluentes do Xingu.
A campanha foi desenvolvida com parceiros de diversos setores: povos indígenas, agropecuaristas, agricultores familiares, pesquisadores e organizações da sociedade civil que atuam na região. Entre os dias 25 e 27 de outubro de 2004, 340 representantes desses segmentos reuniram-se no Encontro Nascentes do Rio Xingu, na cidade mato-grossense de Canarana, estabelecendo o marco político da Campanha ‘Y Ikatu Xingu. Na ocasião, os participantes escreveram a Carta de Canarana, onde foram firmados os compromissos e linhas de ação da campanha. Em 2008, realizou-se o II Encontro Nascentes do Xingu e I Feira de Iniciativas Socioambientais, em que foi feito um balanço de todas as ações realizadas durante os quatro anos de existência da campanha.
Uma das principais linhas de ação da campanha é a viabilização econômica e tecnológica da restauração de matas ciliares. Até o momento, diversas iniciativas ligadas a campanha contribuíram para a restauração de mais de dois mil hectares de matas ciliares que se encontram em diferentes estágios de crescimento em pequenas, médias e grandes propriedades rurais e em assentamentos de reforma agrária.
A crescente demanda por sementes nativas para os trabalhos de restauração florestal gerou uma nova iniciativa – a Rede de Sementes do Xingu, que hoje envolve mais de 300 coletores de sementes em 18 municípios da bacia do Xingu.
As parcerias e ações desenvolvidas na região têm mostrado resultados. Hoje, as prefeituras dos municípios que estão na bacia do Rio Xingu começam a estruturar programas de educação agroflorestal e a repensar a estratégia de planejamento territorial. Os povos indígenas monitoram a qualidade da água dos rios e colaboram significativamente com a coleta de sementes para projetos de restauração florestal. Assentados e agricultores familiares estão recuperando suas áreas e criando alternativas de renda com a implantação de sistemas agroflorestais e o manejo de suas áreas.
A campanha reúne segmentos que tradicionalmente divergem no debate da questão socioambiental, mas que resolveram adotar o princípio da responsabilidade socioambiental compartilhada e trabalhar para a construção de um modelo de desenvolvimento que alie a produção e a sociodiversidade da região.
‘Y Ikatu Xingu – Salve a água boa do Xingu, na língua Kamaiurá
A Campanha ‘Y Ikatu Xingu surgiu em 2004 para atuar na recuperação e proteção das nascentes e cabeceiras do Rio Xingu. Estima-se que já foram desmatados quase seis milhões de hectares de vegetação nativa na bacia do Xingu no estado de Mato Grosso, o que significa que aproximadamente 33% da cobertura vegetal original já foi suprimida na região.
A fragilidade do rio e a necessidade de trabalhar em sua conservação ficaram evidentes em meados de 1990, quando as lideranças do Parque Indígena do Xingu, localizado no nordeste de Mato Grosso, manifestaram sua preocupação com a ocupação e o desmatamento no entorno de sua área e com o processo de assoreamento dos rios que cortam o parque, afluentes do Xingu.
A campanha foi desenvolvida com parceiros de diversos setores: povos indígenas, agropecuaristas, agricultores familiares, pesquisadores e organizações da sociedade civil que atuam na região. Entre os dias 25 e 27 de outubro de 2004, 340 representantes desses segmentos reuniram-se no Encontro Nascentes do Rio Xingu, na cidade mato-grossense de Canarana, estabelecendo o marco político da Campanha ‘Y Ikatu Xingu. Na ocasião, os participantes escreveram a Carta de Canarana, onde foram firmados os compromissos e linhas de ação da campanha. Em 2008, realizou-se o II Encontro Nascentes do Xingu e I Feira de Iniciativas Socioambientais, em que foi feito um balanço de todas as ações realizadas durante os quatro anos de existência da campanha.
Uma das principais linhas de ação da campanha é a viabilização econômica e tecnológica da restauração de matas ciliares. Até o momento, diversas iniciativas ligadas a campanha contribuíram para a restauração de mais de dois mil hectares de matas ciliares que se encontram em diferentes estágios de crescimento em pequenas, médias e grandes propriedades rurais e em assentamentos de reforma agrária.
A crescente demanda por sementes nativas para os trabalhos de restauração florestal gerou uma nova iniciativa – a Rede de Sementes do Xingu, que hoje envolve mais de 300 coletores de sementes em 18 municípios da bacia do Xingu.
As parcerias e ações desenvolvidas na região têm mostrado resultados. Hoje, as prefeituras dos municípios que estão na bacia do Rio Xingu começam a estruturar programas de educação agroflorestal e a repensar a estratégia de planejamento territorial. Os povos indígenas monitoram a qualidade da água dos rios e colaboram significativamente com a coleta de sementes para projetos de restauração florestal. Assentados e agricultores familiares estão recuperando suas áreas e criando alternativas de renda com a implantação de sistemas agroflorestais e o manejo de suas áreas.
A campanha reúne segmentos que tradicionalmente divergem no debate da questão socioambiental, mas que resolveram adotar o princípio da responsabilidade socioambiental compartilhada e trabalhar para a construção de um modelo de desenvolvimento que alie a produção e a sociodiversidade da região.