O que é

          Em meados nos anos 1990, as lideranças do Parque Indígena do Xingu, no nordeste de Mato Grosso, manifestaram sua preocupação com a ocupação e do desmatamento ao redor de suas terras e com assoreamento dos rios que cortam a área. O monitoramento dos desmates apontou que ele avançava em grande velocidade, inclusive sobre as matas ciliares, que protegem os cursos de água.

A partir daí, nasceu a idéia de articular um movimento entre vários segmentos sociais locais para proteger e recuperar as nascentes e matas de beira de rio do Xingu no Mato Grosso. Os primeiros passos para iniciar essa mobilização foram dados durante o Encontro Nascentes do Xingu, em outubro de 2004, em Canarana (MT), evento organizado por movimentos sociais, entidades civis, prefeituras e órgãos governamentais. No evento, foram traçadas as principais linhas de ação da campanha: a proteção dos direitos das terras indígenas, a viabilização econômica dos assentamentos, a redução dos custos de recuperação das matas ciliares nas propriedades rurais e a implantação de serviços de saneamento básico nas cidades da região.

Hoje, a campanha ‘Y Ikatu Xingu reúne índios, pesquisadores, organizações da sociedade civil, produtores e trabalhadores rurais, assentados, movimentos sociais e governos, segmentos que tradicionalmente divergem no debate da questão ambiental, mas que resolveram adotar o princípio da responsabilidade socioambiental compartilhada. A intenção é difundir práticas sustentáveis e mobilizar a sociedade para implantar um novo modelo de desenvolvimento na região que respeite o meio ambiente e a diversidade cultural das populações que ali vivem – e que possa garantir água hoje e sempre para todas as comunidades que ali vivem!

Os produtores rurais têm papel fundamental na recuperação das matas. As prefeituras estão sendo estimuladas a implantar programas de educação ambiental, formar viveiros de mudas e melhorar o saneamento básico das cidades. Os índios estão dispostos a monitorar a qualidade da água dos rios e coletar sementes para projetos de recuperação florestal. Assentados e agricultores familiares estão recuperando suas áreas e criando alternativas de renda com a implantação de sistemas agroflorestais e o manejo de suas áreas. Estudos estão apontando como gerir o território e aproveitar seus recursos da maneira mais sustentável possível, entre outros exemplos.


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